Eu queria ser escritora.
Eu realmente queria. Porque é o único jeito de sobreviver. Porque o resto do tempo é tanto gargalhar de tristeza, é muito mergulhar no mundo pra fugir dele, e muito sobre muita gente, e  parece que essa multidão de tudo e de tanta coisa existe pra disfarçar que, na verdade, não há nada nem ninguém. E isso quando não sufoca, afoga, e a ideia de afogar, ou sufocar , no nada, não me é aceitável.  Então escrevo - para poder respirar.
O que acontece, portanto, é que as palavras que saem são muito eu, e, aparentemente, eu não basto. Não escrevo mais. E se algum dia eu já quis ser escritora, este dia está mais distante do que todos os anos que vivi e todos aqueles que viverei. 
Quero ser sobrevivente.

 Mesmo que tenham me dito que todo texto meramente explicativo é redundante, que se dane. Eu prefiro murmurar ao vento, se for pra ser assim, sem eu explicar, sem a outra parte entender. Não, eu não vou abrir mão do parênteses, e nem do travessão. Não importa se é redundância - escrever é para mim uma arte, e arte é muito menos pensar para fazer, do que fazer para pensar. 

     Não devia ter parado de escrever. Isso porque quando a gente deixa de usar as palavras, elas esquecem que foram domadas, e fogem à boca, e mordem a língua, e se forçam garganta abaixo. E dói.

Não escrevo, porque não quero. Não escrevo, porque ninguém lê. Não escrevo, porque apenas não sei. Refugio-me, quando todo o resto desmorona.
Mimimimi, até. 
Lú :D 

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