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Foram muitas conversas, de fato. Falamos sobre o tempo, sobre a chuva, sobre o calor, como vai a escola, como foram as férias, como será o ano que vem. Falamos tanto, e não falamos nada.
Preenchemos vazios, espaços brancos de tempo, mas não falamos, realmente. Reconhecíamos um a presença do outro, cumpríamos rituais, mas nunca nos importamos muito. No fundo, tenho certeza que nos amávamos, mas não me lembro de sequer uma vez termos dito isso. Hoje, me pergunto por quê.
Tínhamos pressa.
Esquecemos de nos importar? Talvez. Nos iludimos que amanhã poderíamos fazer melhor. Tivemos vergonha, tivemos compromissos. Tivemos receio. Nunca mais quisemos saber se estava tudo bem, e o "Como está?" se transformou em algo próximo do "Já te vi aí". Preocupados com a prova, com a festa, com outros e com ninguém, fomos deixando de lado, porque da próxima vez a gente se fala melhor. Perguntamos, sem buscar resposta. Respondemos, sem entender a pergunta. E em algum canto, na penumbra da vida, perdemos aquele pedaço da gente que sabia que nós éramos mais importantes que tudo.
E agora o futuro parece meio sem jeito. E quando esqueço, ainda fica aquele gosto de que está faltando alguma coisa, que nem parecia tão vital, tão necessária, até a gente olhar ao redor e não achá-la.
Cadê, cadê, cadê?
Eu nunca tinha notado o quão acolhedor era ver você sentado lá, mesmo em silêncio, até ver a cadeira vazia.
E a chuva, o choro dos trovões, o fim de tarde e as bicicletas no quintal; aquela saudade, o morro e os boizinhos brancos, as folhas e os rabiscos espalhados, os brinquedos no chão. A ilusão do para sempre. O Eu Te Amo. As coisas que a gente vai esquecendo, as coisas que a gente vai tentando esquecer e as coisas que nunca tivemos tempo pra perceber. Essas foram as coisas que eu não te falei.
E agora, o medo do nunca mais.
Por: Luíza dC.Marcadores: As coisas que eu não te falei
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